O Cronobacter é um bacilo Gram negativo pertencente à família Enterobacteriaceae, antes conhecido como o Enterobacter cloacae. No ano de 1980, após estudos aprofundados das cepas de E. sakazakii, a bactéria foi reclassificada dentro da família Enterobacteriaceae, como um novo gênero: o Cronobacter spp.
Estudos mais atuais apontam que a bactéria apresenta sete espécies: sakazakii, malonaticus, dublinensis, turicensis, muytjensii, universalis e condimenti.
O QUE É CRONOBACTER SAKAZAKII?
A Cronobacter é uma bactéria associada a infecções em crianças e recém-nascidos devido a ingestão de fórmulas infantis desidratadas contaminadas. Apesar de sua grande incidência em bebês e crianças, estudos comprovam que a Cronobacter pode causar infecções em indivíduos de qualquer idade.
EM QUAIS ALIMENTOS ELA ESTÁ PRESENTE?
A Cronobacter ssp é comumente encontrado em alimentos destinados ao público infantil, como fórmulas lácteas e produtos à base de farinha de milho. Sua presença em outros alimentos infantis pode contribuir para a contaminação do ambiente e dos utensílios dos lactários por meio da contaminação cruzada.
SINTOMAS DA BACTÉRIA CRONOBACTER
Classificado como um patógeno oportunista emergente, além da meningite, a Cronobacter provoca também septicemia neonatal, enterocolite necrosante, infecções sanguíneas e no sistema nervoso central.
Dentre os sintomas mais comuns relatados, estão: convulsões, atraso no desenvolvimento, hidrocefalia e abscessos cerebrais. Recém-nascidos, principalmente com idade inferior a 28 dias, fazem parte do grupo de maior risco. De acordo com estudos, todos os casos que não são devidamente diagnosticados e tratados com eficácia, podem levar à morte em até 80% das vezes.
Apesar de a maioria dos casos de infecções por Cronobacter envolverem crianças, existem números significativos de relatos de infecções em adultos idosos. E, nesse público especificamente, o acometimento se dá por meio de infecções urinárias.
PERIGO PARA À SAÚDE PÚBLICA
A Cronobacter sakazakii é considerada um risco significativo à saúde pública. No Brasil, o primeiro relato de surto ocorreu em 1997, em Minas Gerais. Na ocasião, as amostras positivas para o Cronobacter foram apontadas em produtos como queijos, alimentos infantis à base de aveia, cereais de milho, cereais de arroz, farinhas, temperos, formulas lácteas em pó, formulas infantis, aveia em flocos, leite UHT e amido em pó.
Por representar grande ameaça à vida principalmente aos recém-nascidos e idosos, se faz necessária a criação de medidas em todo o país para o controle destes microrganismos em alimentos.
RECOMENDAÇÃO DA ANVISA
Por estar associada a alimentos e fórmulas infantis, no Brasil, a Anvisa tenta combater a Cronobacter exigindo registro prévio para a comercialização deste tipo de produtos.
Além disso, a Agência orienta o uso de fórmulas infantis apenas de procedência conhecida; e somente sob a orientação de um profissional de saúde habilitado (médico pediatra ou nutricionista).
Outra recomendação é ler todas as instruções de preparação presentes no rótulo; e a correta higienização de utensílios usados para o preparo.
Por fim, o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam o aleitamento materno de maneira exclusiva até os seis meses de vida, podendo estender até dois anos de idade ou mais.
CONCLUSÃO
Como pudemos observar, a contaminação pela bactéria Cronobacter não é incomum e mostra-se altamente prejudicial à saúde. Com elevado número de mortalidade nos casos; acometendo pessoas de faixas etárias críticas e teoricamente mais vulneráveis, como bebês e idosos.
Para garantir a qualidade e a segurança nos produtos, as empresas fabricantes devem estar atentas ao cumprimento do disposto nas normas brasileiras vigentes. E assim evitar a contaminação dos produtos por este microrganismo. Investir em controle de qualidade em todas as fases da cadeia de produção ainda se mostra uma ferramenta poderosa e eficaz contra a contaminação alimentar.
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